Revista Acene e Conferência na Universidade de Helsinque

PDF do artigo da Revista Acene: MARCOS BAGNO E A LUTA CONTRA O FOLCLORE LINGUÍSTICO
escrito por  Daniel Golveia

Revista ACENE

e PDF da Conferência proferida na Universidade de Helsinque, em 20 de outubro de 2014: O POTENCIAL DO PORTUGUÊS BRASILEIRO COMO LÍNGUA INTERNACIONAL

O POTENCIAL DO PORTUGUÊS BRASILEIRO COMO LÍNGUA INTERNACIONAL

Resenha do Prof. Pere Comellas

Já diz o ditado que santo de casa não faz milagre. Enquanto alguns “colegas” brasileiros esbravejam contra a minha Gramática Pedagógica, eis que recebo da Catalunha uma resenha do prof. Pere Comellas Casanova, da Universidade de Barcelona, que faz uma avaliação extremamente positiva da obra.
Já tenho recebido outras avaliações positivas de linguistas galegos, italianos e mexicanos, além de portugueses. Gente sem compromisso com o anacronismo de boa parte do pensamento gramatical (e mesmo linguístico) do Brasil. Valeu a pena!

Resenha catalã traduzida

A língua certa de amanhã

Estudantes e professores da Universidade Estadual de Maringá se contrapõem à bobajada do advogado que espalhou faixas com “português certo” pela cidade (aliás, das mais bonitas do Brasil!). E lá tô eu na briga, mesmo sem querer! Parabéns pela iniciativa.
http://www.gazetamaringa.com.br/maringa/conteudo.phtml?tl=1&id=1421841&tit=Em-faixas-projeto-defende-que-desobedecer-norma-culta-nao-e-errado

faixas maringa

Hamburgo 2013

falei hoje (13 de setembro) no X Lusitanistentag sobre o impacto das línguas africanas no português brasileiro. Foi uma ótima sessão, com sala cheia e muitas discussões interessantes em seguida. Obrigado, Susana Kampff Lages (na foto comigo) e Mônica Maria Guimarães Savedra pelo convite que me fez vir pela primeira vez à Alemanha. Viagem inesquecível, apenas o começo das minhas aventuras germânicas que estão por vir! Hamburgo, como porta de entrada para a Alemanha, foi uma gratíssima surpresa!

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Victor Hugo e a Pena de Morte

Marcos Bagno

Este ano é o sesquicentenário de publicação do romance Os Miseráveis, de Victor Hugo (1802-1885). As comemorações acontecem no mundo inteiro, e não por acaso. Victor Hugo é um dos personagens mais colossais da história da literatura. Romancista, poeta, dramaturgo, deputado, senador, sua vida se estendeu por quase todo o século XIX e com ele se confunde. A influência de Hugo é impressionante. Basta lembrar, por exemplo, que a figura do Coringa, da série Batman, se inspira no personagem Gwynplaine do romance O homem que ri, mutilado para que seu rosto exiba permanentemente um grotesco sorriso de orelha a orelha. O infeliz Quasímodo, o famosíssimo Corcunda de Notre-Dame, é outra figura emblemática da dialética trágica do sublime e do grotesco, espinha dorsal do projeto estético de Hugo e do Romantismo, do qual é o maior nome na França. Duas de suas peças teatrais foram transformadas em célebres óperas por Verdi: Le roi s’amuse (fonte do Rigoletto) e Hernani (Ernani, na ópera). O próprio nome Victor Hugo se tornou comum nos países de língua portuguesa e não param de nascer crianças assim batizadas, principalmente no Brasil.

Embora entre nós Victor Hugo seja conhecido sobretudo por seus romances, entre os quais Os trabalhadores do mar, traduzido por ninguém menos do que Machado de Assis, em sua terra natal ele é mais celebrado como poeta. Sua monumental La Légende des Siècles é uma epopeia que aborda, em dezenas de milhares de versos, a história da humanidade desde os primórdios até um futuro antevisto.

Defensor das causas sociais mais prementes de seu tempo, Victor Hugo denunciava a traição cometida por Napoleão e seus sucessores contra os ideais libertários da Revolução Francesa. Republicano inveterado, foi crítico contumaz de Luís Napoleão Bonaparte que, eleito presidente, promoveu em 1851 um golpe de Estado e se proclamou imperador com o nome de Napoleão III. Opondo-se ferozmente ao golpe, Victor Hugo se viu obrigado a se exilar na ilha britânica de Guernesey, de onde podia avistar a costa francesa sem poder pisá-la. Viveu nesse exílio por quinze anos e foi justamente lá que concluiu a redação de Os Miseráveis.

A injustiça social, de modo mais amplo, sempre foi o grande tema da obra hugoana. Seus aspectos mais específicos foram objeto de muitos dos escritos do autor: a miséria, a prostituição, a submissão das mulheres, a arbitrariedade dos poderosos, a exploração do trabalho infantil, o dogmatismo obscuro da Igreja, o colonialismo, a escravidão etc. Estudiosos contemporâneos sugerem que até mesmo a questão homossexual foi abordada, de forma sutil, em alguns textos ficcionais de Hugo. No entanto, sua luta mais explícita e militante foi contra a pena de morte. Sobre ela Hugo escreveu romances além de vários discursos pronunciados na Assembleia Nacional e no Senado. Mas a pena capital só foi abolida na França em 1981, no governo socialista de Mitterrand, quase cem anos após a morte do escritor.

No Brasil, embora não oficializada, a pena de morte é praticada todos os dias pelo nosso aparato policial, último bastião das práticas repressivas e assassinas da ditadura. Suas vítimas preferenciais, num país marcado por tremenda desigualdade social, são as crianças de rua, os adolescentes negros e mestiços, os traficantes que fazem concorrência à polícia no comércio das drogas, moradores de rua, advogados e juízes etc. Até quando conviveremos com essa prática que é, segundo Victor Hugo, “o signo especial e eterno da barbárie”?

carosamigos